sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Não é segredo para ninguém que nunca fui muito "fã" de concursos públicos, entretanto na área em que estou adentrando (Direito) seria uma grande perda de tempo e energia não realizá-los. Afinal, uma fatia do Judiciário requer necessariamente tal graduação para admitir o ingresso.

Eu sei que é o sonho de muita gente passar em um concurso público, pois em um país de miseráveis, seja por falta de meios materiais de subsistência, seja pela intelectualidade degradante e degradada do dia-a-dia tal é a saída para melhorar de vida e/ou encher o bolso de dinheiro coçando.

E não adianta ficar irritadinho dizendo que com você é diferente, que você quer porque quer se dedicar ao público, efetivar o Direito, mudar o mundo ou qualquer coisa do gênero. Apesar de a nova leva de bacharéis até realmente admitirem esta postura, apenas raríssimas pessoas o querem no mundaréu de fulaninhos e fulaninhas que são despejados ao mercado ano após ano. E eu, ao menos por agora, ainda não estou bem certo disso, pois em um plano filosófico muito particular acredito que "servir ao público" bem pode ser feito de maneira muito mais eficiente que o tal "funcionalismo" (tenho asco desta palavra).

Reconheço muito bem as diferenças entre os dois papéis sociais que irei comparar agora. Imagine um padre ou pastor que guia determinada comunidade. Ele aconselha a vida dos fiéis em diversas searas da vida: família, espiritualidade, trabalho, relações sociais, problemas pessoais, etc. Imagine a quantidade de processos que não evitam ao Judiciário? Quantas folhas de papel, quanta energia humana gasta? Ao que me parece eles servem muito mais ao público (que são os cidadãos) do que qualquer burocrata enfurnado em sua salinha da repartição responsável pela geração de relatórios atinentes à Administração Pública, ou a processos licitatórios, etc. Ah, e vantajosamente resolvem os problemas.

Mas uma das grandes razões da existência do Direito é precisamente esta: como uma fonte regeneradora garantir que os problemas sejam solucionados por meio de um rito próprio que esteja disponíveis a todos que dele podem sorver.

Volta e meia é muito provável que ainda postarei textos do gênero tecendo críticas — espero que construtivas — a esse ambiente burocrático do qual o operador não pode se afastar.

Recentemente fiquei muito contente em descobrir que o Drº Wiliam Douglas é uma das raríssimas pessoas das quais tratei ali em cima. Seu lema "Corrupção? No meu metro quadrado não!" é perfeito para essa nova fase que o Brasil está vivendo. Não há como me afastar dessa realidade e confesso que muito timidamente estou esperançoso no sentido de pensar que as pessoas podem ser diferentes e que elas querem melhorar. Não sou tão durão quanto pareço, mas, convenhamos; é bastante difícil acreditar em melhoras cá em terrae brasilis à essa altura do campeonato.

Por mais que tenhamos perdido longas batalhas até agora devido a anos de descaso pelo autoconhecimento e comprometimento com a coisa pública (res publica) toda uma geração será nutrida por nomes interessantíssimos que surgirão dos cursos do professor Olavo de Carvalho. Espero ser uma das pessoas que possa levar a conhecimento de outras pessoas tal trabalho, que está longe de ser terminado.

A melhora a qual temos de nos propor se quisermos melhorar esta nação é melhorarmos a nós mesmos todo dia. Enfrentamos um ambiente que simplesmente nos puxa demais para baixo pondo a prova toda sorte de vaidades, ganâncias, invejas e outros sentimentos baixos e torpes. Um guiamento espiritual, moral e ético fundado na análise séria dos fatos, com coragem e determinação. Esta é a força que precisamos para progredir.

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Com essas breves palavras eu encerro o post de hoje, dando abertura a este caminho que se inicia em minha vida, não a "vida de concurseiro", que carrega a devida peja de sofrência infindável, mas a de concursista; alguém comprometido com para muito além do bolso.